“Quem está reclamando disso aqui é porque não anda de ônibus.” A fala de
Luiz Gonzaga Rodrigues, 68 anos, funcionário de um estacionamento,
reflete bem o ganho do usuário de transporte público com o funcionamento
do Serviço Rápido de Ônibus (BRS, da sigla em inglês Bus Rapid
Service). Luiz e milhares de outras pessoas que se deslocam de ônibus,
van ou táxi todos os dias pela avenida Bezerra de Menezes ganharam
alguns preciosos minutos diários desde que o BRS entrou em atividade.
A equipe de reportagem decidiu testar o novo sistema e trafegar, de
ônibus, do terminal Antônio Bezerra, no bairro de mesmo nome, até o fim
da avenida Bezerra de Menezes, nas proximidades do Centro. A linha
escolhida para percorrer os cinco quilômetros do trajeto foi a 086 -
Antônio Bezerra/Santos Dumont.
Nos dois dias, o caminho foi feito no horário de pico da manhã, das 7h
às 8 horas. Na sexta-feira, 10, faltavam três dias para o BRS ser
implantado. Descemos, o repórter fotográfico Mauri Melo e eu, no último
ponto da avenida, 40 minutos depois de termos pegado o ônibus no
terminal. Uma semana depois, o mesmo caminho foi feito com 15 minutos de
vantagem.

No trajeto do dia 10, engarrafamentos foram constantes nas quatro faixas
em direção ao Centro. E, para piorar, não era nada difícil encontrar
irregularidades cometidas por motoristas de carros de passeio. Apesar da
presença de agentes da Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços
Públicos e de Cidadania (AMC) e de funcionários da Empresa de Transporte
Urbano de Fortaleza (Etufor) em cada canto da avenida, havia carros
parados, com o pisca-alerta ligado, sem problemas no veículo. Eram
motoristas que usavam o recurso apenas enquanto compravam um medicamento
nas farmácias ou esperavam abrir vagas no estacionamento. “Ninguém tem
respeito por ninguém”, dizia a empregada doméstica Erineuda Sousa.
Nesse trajeto, percebi descrença de algumas pessoas quanto à
funcionalidade do BRS. “É porque não informam nada a gente. Parece que
vai ter umas mudanças na parada, né? Não sei ainda como vai ser”,
contava a auxiliar de enfermagem Isabel Braga, 56. Apesar disso,
afirmava ela, “se der certo mesmo, vai ser muito bom pra gente que anda
de ônibus. Era bom se fosse na cidade toda”, sugeria.
Com BRS
Após o funcionamento do BRS, a faixa preferencial parecia a de toda via
nas tardes de sábado. Trânsito de ônibus fluía tranquilamente e, de
certa forma, livre, apesar de alguns desrespeitos. Vez ou outra, alguns
motoristas mais “espertos” realizavam ultrapassagem pela direita e até
pegavam o caminho do ônibus, sem convergir à direita nos 100 metros
seguintes. O espaço é o permitido pela AMC no caso de estacionar ou
dobrar à direita. O motorista do coletivo Aldenilo Sousa, 26, falava
estar chegando aos terminais bem mais rápido que anteriormente,
adiantado até. “Com o tempo, não é possível que esses motoristas não
respeitem”, falava.
Enquanto o ônibus transitava na faixa de preferência, uma fila de carros
se fazia à esquerda da avenida. O percurso do segundo dia de
experiência durou 25 minutos. E, apesar de ter saído alguns instantes na
frente, o carro do O Povo chegou ao ponto final da jornada minutos
depois do ônibus.
Fonte: O Povo