terça-feira, 23 de outubro de 2012

Mudanças no trânsito de Fortaleza

Os órgãos encarregados da mobilidade urbana, em Fortaleza, anunciam para os próximos dias mudanças radicais no sistema viário leste. As medidas planejadas objetivam alterar o fluxo das Avenidas Santos Dumont e Dom Luís, Desembargador Moreira e Senador Virgílio Távora. 
Diante do trânsito paralisante, como tem sido registrado em áreas mistas, ocupadas por moradias e por atividades comerciais e de serviços, as propostas trazem a esperança de modificações mais profundas, antes que o problema desses espaços urbanos se torne irreversível. Pressupõe-se que o plano a ser executado tenha sido um consenso de especialistas em engenharia, tecnologia e administração de trânsito, com capacidade de apontar soluções factíveis. 
As razões da falta de fluidez no tráfego da Capital pairam, em primeiro lugar, no próprio traçado urbano, sob o formato de xadrez, com ruas estreitas, avenidas acanhadas e quadras curtas, como se a cidade jamais evoluísse do ciclo das carroças e dos bondes. Paralelamente, os Planos Diretores não trataram de corrigir essa falta de perspectiva durante a aprovação dos loteamentos. 
Por motivos administrativos, foi extinto o Instituto de Planejamento do Município (Iplam), que possuía um acervo sobre a Capital, sua evolução e memória urbana. Reunia também recursos técnicos e humanos para orientar o crescimento ordenado da cidade que, numa fase decisiva, ficou sem rumo. 
No vazio de direcionamento, ocorreram fenômenos desta ordem em Fortaleza: entre 2001 e 2011, a frota de automóveis evoluiu de 331.075 unidades para 628.039. O crescimento é de 87,7% na primeira década do século XXI, traduzido em 296.964 novos veículos em circulação. No período, não foram realizadas obras de infraestrutura para suportar essa invasão motorizada e harmonizar o espaço urbano. 
Essa anomalia foi constatada pelo Observatório das Metrópoles, ao estudar as doze maiores cidades do País, com base nos dados acumulados pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). As doze metrópoles apresentam problemas semelhantes de tráfego, em razão do crescimento vertiginoso da frota de veículos, sem haver correspondência em investimentos públicos capazes de permitirem a fluidez desejada. 
Em 2011, o Observatório das Metrópoles constatou a concentração, nas doze maiores cidades, de 20,5 milhões de automóveis. À época, o número representava 44% da frota nacional, mas já sofreu alterações substanciais, em razão dos atrativos financeiros proporcionados pelo governo, com a redução dos impostos cobrados sobre a comercialização de veículos novos nos últimos meses. 
As medidas projetadas para o trânsito de Fortaleza mudam o sentido de circulação de veículos das quatro principais avenidas da região leste da cidade. A Santos Dumont terá sentido Centro-Aldeota; a Dom Luís, Aldeota-Centro; a Desembargador Moreira, Sertão-Praia; e a Senador Virgílio Távora, Praia-Sertão. 
Toda mudança causa descontentamento e prejuízo às pessoas e às atividades econômicas afetadas. Contudo, a legislação privilegia o transporte público sobre o individual e esse critério tem prevalecido, como ocorreu com as mudanças da Avenida Bezerra de Menezes e dos primeiros quarteirões centrais. 
A Etufor e a AMC, com orientação técnica unificada, têm agido com cautela ao promover os ajustes anunciados. Mas serão sempre soluções provisórias, se não foram executadas as obras indispensáveis à malha viária.
Fonte: Diário do Nordeste

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