Os órgãos encarregados da mobilidade urbana, em Fortaleza, anunciam para
os próximos dias mudanças radicais no sistema viário leste. As medidas
planejadas objetivam alterar o fluxo das Avenidas Santos Dumont e Dom
Luís, Desembargador Moreira e Senador Virgílio Távora.
Diante do trânsito paralisante, como tem sido registrado em áreas
mistas, ocupadas por moradias e por atividades comerciais e de serviços,
as propostas trazem a esperança de modificações mais profundas, antes
que o problema desses espaços urbanos se torne irreversível.
Pressupõe-se que o plano a ser executado tenha sido um consenso de
especialistas em engenharia, tecnologia e administração de trânsito, com
capacidade de apontar soluções factíveis.
As razões da falta de fluidez no tráfego da Capital pairam, em primeiro
lugar, no próprio traçado urbano, sob o formato de xadrez, com ruas
estreitas, avenidas acanhadas e quadras curtas, como se a cidade jamais
evoluísse do ciclo das carroças e dos bondes. Paralelamente, os Planos
Diretores não trataram de corrigir essa falta de perspectiva durante a
aprovação dos loteamentos.
Por motivos administrativos, foi extinto o Instituto de Planejamento do
Município (Iplam), que possuía um acervo sobre a Capital, sua evolução e
memória urbana. Reunia também recursos técnicos e humanos para orientar
o crescimento ordenado da cidade que, numa fase decisiva, ficou sem
rumo.
No vazio de direcionamento, ocorreram fenômenos desta ordem em
Fortaleza: entre 2001 e 2011, a frota de automóveis evoluiu de 331.075
unidades para 628.039. O crescimento é de 87,7% na primeira década do
século XXI, traduzido em 296.964 novos veículos em circulação. No
período, não foram realizadas obras de infraestrutura para suportar essa
invasão motorizada e harmonizar o espaço urbano.
Essa anomalia foi constatada pelo Observatório das Metrópoles, ao
estudar as doze maiores cidades do País, com base nos dados acumulados
pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). As doze metrópoles
apresentam problemas semelhantes de tráfego, em razão do crescimento
vertiginoso da frota de veículos, sem haver correspondência em
investimentos públicos capazes de permitirem a fluidez desejada.
Em 2011, o Observatório das Metrópoles constatou a concentração, nas
doze maiores cidades, de 20,5 milhões de automóveis. À época, o número
representava 44% da frota nacional, mas já sofreu alterações
substanciais, em razão dos atrativos financeiros proporcionados pelo
governo, com a redução dos impostos cobrados sobre a comercialização de
veículos novos nos últimos meses.
As medidas projetadas para o trânsito de Fortaleza mudam o sentido de
circulação de veículos das quatro principais avenidas da região leste da
cidade. A Santos Dumont terá sentido Centro-Aldeota; a Dom Luís,
Aldeota-Centro; a Desembargador Moreira, Sertão-Praia; e a Senador
Virgílio Távora, Praia-Sertão.
Toda mudança causa descontentamento e prejuízo às pessoas e às
atividades econômicas afetadas. Contudo, a legislação privilegia o
transporte público sobre o individual e esse critério tem prevalecido,
como ocorreu com as mudanças da Avenida Bezerra de Menezes e dos
primeiros quarteirões centrais.
A Etufor e a AMC, com orientação técnica unificada, têm agido com
cautela ao promover os ajustes anunciados. Mas serão sempre soluções
provisórias, se não foram executadas as obras indispensáveis à malha
viária.
Fonte: Diário do Nordeste




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