A partir deste mês, as
empresas operadoras do transporte coletivo de Fortaleza deverão instalar em
todos os seus veículos o validador para a contagem de passes livres. A medida
se aplica aos portadores de cartões que dê direito à gratuidade, como funcionários
de empresas de ônibus, deficientes e idosos, visando um maior controle e
fiscalização na hora de embarcar nos coletivos. O usuário deve apresentar seu
cartão ao motorista, que o passará no validador, registrando o
embarque. As empresas estão adotando o equipamento de forma gradativa.
Gratuidade é oneroso para empresas. Repasse sai do bolso dos usuários.
No Brasil se pratica uma
política social ao avesso quando se elege os usuários do transporte coletivo
para pagar a conta da gratuidade concedida a diversos setores da sociedade. Não
se quer discutir, agora, os méritos de tais gratuidades, mas direcionar para um
único segmento da sociedade a responsabilidade de arcar com os benefícios
conferidos é uma política não apenas conservadora, mas claramente injusta e
distorcida. A questão é agravada por se saber que os usuários do transporte
público são, sem dúvida, os menos indicados para receber e quitar essas contas.
Em Fortaleza, dentre as
gratuidades concedidas, atualmente, 3.887 crianças e adolescentes que estão na
faixa etária de zero a 18 anos se deslocam gratuitamente nos ônibus da cidade
sem limitação de viagens, restrições de itinerários ou dias da semana. Em 99%
destes casos, o benefício também dá direito a acompanhante.
Segundo dados da Empresa de
Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), 2.955 crianças e adolescentes com
gratuidade possuem deficiência mental ou múltipla, enquanto 932 das que têm o
benefício estão enquadradas nos demais tipos de deficiência: física, auditiva e
visual.
Esse quadro é ainda mais
afrontoso quando se sabe que 30% da população andam a pé, simplesmente porque
não podem arcar com os preços das passagens. Embora tarde, já é hora,
especialmente quando o atraente discurso da mobilidade urbana entra em cena,
retirar-se dessa mesma cena a figura do usuário como o de pagador das benesses.
Fonte: Fortal Bus.




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