Brasília - Iniciada em caráter piloto na última semana
no Distrito Federal, a integração do transporte público é vista por
especialistas como a solução mais racional para usuários e operadores do
serviço. Mas o modelo, adotado nas principais capitais do mundo, está
longe de ser generalizado e imune a falhas no Brasil.
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| Atualmente a rede integrada de Curitiba, é considerada a mais completa e barata do país. |
Embora Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo
Horizonte e Salvador tenham adotado o sistema, a articulação é condicionada a
um limite de tempo ou viagens e nem sempre o desconto para o passageiro é
integral (veja quadro). Atualmente a rede integrada de Curitiba, que não tem
esse tipo de restrição, é considerada a mais completa e barata do país.
O sistema integrado de Curitiba começou a ser
implantado de forma pioneira nos anos 1980. Na capital paranaense, por uma
tarifa de R$ 2,60 nos dias de semana e R$ 1 aos domingos, o cidadão toma
quantos ônibus precisar na cidade e em 13 municípios da região metropolitana. A
cidade é famosa ainda pelos ônibus biarticulados que transportam um número
maior de passageiros e pelos terminais de integração física espalhados pelas
ruas.
Na avaliação de Roberto Gregório da Silva Júnior,
presidente da Urbanização de Curitiba S.A (Urbs), empresa responsável pela
administração do serviço, o planejamento foi importante para o sucesso do
modelo. Ele destaca que a rede foi planejada como um sistema radial: nos anos
1970 foram construídas canaletas exclusivas para ônibus, obedecendo a essa
proposta. “A criação dos eixos foi inserida no plano viário da cidade. Foi se
consolidando um transporte mais rápido a um custo extremamente competitivo. Um
sistema muito perto do ideal”, diz.
O modelo é mais amplo que o de São Paulo, onde o
usuário pode fazer quatro viagens em um período de até três horas ao preço
máximo de R$ 4,65. E supera também o do Rio de Janeiro, onde o bilhete único
vale por duas horas e meia para apenas um transbordo, custando até R$
3,95 dentro do município e até R$ 4,95 em trajetos intermunicipais.
No Distrito Federal, a integração por enquanto conecta
somente duas cidades – Taguatinga e Ceilândia – às avenidas W3 Sul e Norte,
Rodoviária do Plano Piloto, Guará, Núcleo Bandeirante, Setor de Oficinas Sul e
Octogonal. O passageiro tem duas horas para mudar de ônibus sem pagar um novo
bilhete e terá o custo máximo de R$ 3. As linhas estão disponíveis das 8h às
17h de segunda a sexta, das 8h à meia-noite aos sábados e das 6h à meia-noite
aos domingos e feriados.
Segundo Lúcio Lima, diretor técnico do Transporte
Urbano do DF (DFTrans), a ideia é que haja um período de adaptação antes de
expandir o benefício, que inicialmente abrangerá cerca de 40 mil pessoas. Ele
diz ainda que para tornar o modelo global é necessário licitar mais três lotes
de ônibus novos, o que deve acontecer até agosto. “Até lá, o transporte estará
totalmente integrado em todos os modais. Hoje metrô e micro-ônibus ainda não
fazem parte”, afirma.
De acordo com Joaquim José Guilherme de Aragão,
professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de
Brasília (UnB) e doutor em política de transporte, a integração é positiva
porque, além de beneficiar o usuário, “enxuga” a frota. “No Distrito Federal,
por exemplo, onde hoje há 900 linhas, dá para ter 200. Brasília tem uma rede
viária coesa”, explica.
Ele acrescenta que a capital federal está atrasada na
adoção do sistema, principalmente porque viveu anos de insegurança jurídica na
concessão das rotas de transporte público. “Os contratos já estavam vencidos.
Finalmente estão acontecendo as licitações".
Artur Morais, pesquisador da UnB e especialista em
políticas públicas de transportes, destaca que integrar gera custos para o
operador e por isso é preciso realizar pesquisas antes de implantar o sistema.
“É preciso compensar. Em vez de fazer viagens muito longas, a empresa pode
fazer viagens menores com maior quantidade de passageiros. Com isso, é possível
reduzir as viagens deficitárias”, disse.
Confira como funciona a integração em algumas capitais
brasileiras:
São Paulo
O bilhete único permite ao usuário fazer quatro
viagens de ônibus e metrô em até duas horas ao custo máximo de R$ 4,65.
Rio de Janeiro
O bilhete único no sistema de ônibus permite um
transbordo em até duas horas por R$ 2,75. Para metrô e ônibus, o custo sobe a
R$ 3,95. Para trajetos intermunicipais, o preço é R$ 4,95 e engloba ônibus,
barcas, trens, metrô e vans.
Belo Horizonte
Todo usuário que utiliza duas linhas ou uma linha de
ônibus e o metrô dentro de um intervalo de uma hora e meia tem desconto de 50%
na tarifa da segunda linha, de segunda a sexta-feira. Nos domingos e feriados,
a segunda opção é gratuita e os usuários têm desconto na terceira viagem.
Curitiba
Por uma tarifa de R$ 2,60 nos dias de semana e R$ 1
aos domingos, o cidadão toma quantos ônibus precisar na cidade e em 13
municípios de sua região metropolitana.
Salvador
Uma única vez ao dia e dentro de um período de duas
horas, o passageiro pode fazer uma integração pagando 50% da tarifa no próximo
ônibus. Para que a integração ocorra, é condição obrigatória que o segundo
ônibus seja de uma região diferente do primeiro. Para isso, a cidade de
Salvador foi dividida em quatro grandes regiões
Fonte: Agência Brasil (Mariana Branco)



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